Canal do Panamá nega que tenha dado passagem livre aos EUA – 06/02/2025 – Mundo

O governo dos EUA afirmou que navios americanos passariam a ter passagem livre pelo Canal do Panamá, o que foi negado na quarta-feira (5) pela autoridade que administra a passagem, cujo controle é cobiçado pelo presidente Donald Trump.

“O governo do Panamá concordou em não cobrar mais tarifas dos navios do governo dos EUA para transitar pelo Canal do Panamá”, afirmou, após uma dura campanha de pressão contra o país centro-americano, o Departamento de Estado na rede social X, acrescentando que a medida representaria uma economia de “bilhões de dólares por ano”.

Em seguida, porém, a ACP (Autoridade do Canal do Panamá), um organismo independente do governo criado para administrar essa via estratégica, desmentiu o anúncio. “A ACP, responsável por estabelecer os pedágios e outros direitos de trânsito pelo canal, comunica que não fez nenhum ajuste”, afirmou a entidade autônoma que administra a via interoceânica.

A entidade declarou em sua nota que está “à disposição para estabelecer um diálogo com os funcionários pertinentes dos EUA sobre o trânsito de navios de guerra daquele país”.

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, também se pronunciou após a afirmação. Segundo ele, os EUA estão espalhando “mentiras e falsidades” de maneira intolerável. “Por que eles estão fazendo uma declaração institucional importante da entidade que governa a política externa dos EUA, sob o comando do presidente dos EUA, com base em uma falsidade?”, perguntou.

Além da crítica, Mulino anunciou o cancelamento do acordo econômico da Rota da Seda com a China, após pressões dos americanos para reduzir a influência chinesa no canal. O presidente garantiu que a embaixada do Panamá em Pequim “apresentou o documento correspondente” para “anunciar o cancelamento com 90 dias de antecedência”, como estabelece o acordo. “Portanto, essa é uma decisão que tomei”, acrescentou.

A polêmica ocorre apenas alguns dias após o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, visitar o Panamá em sua primeira viagem internacional no cargo e dizer que o país havia oferecido várias concessões a Washington. O secretário de Estado diz ser injusto que os EUA defendam o canal e, além disso, paguem pelo seu uso.

Trump começou a ameaçar tomar o Canal do Panamá, travessia chave para o comércio mundial que liga o oceano Atlântico ao Pacífico, quando ainda era presidente eleito, em dezembro do ano passado. “As taxas cobradas pelo Panamá são ridículas, altamente injustas”, afirmou o republicano a apoiadores no Arizona na ocasião.

Em seu discurso de posse, Trump afirmou que tomaria o canal que já foi dos EUA e justificou seu plano com a afirmação, sem provas, de que a China controla o local. Desde então, Trump insiste no confronto e não descarta o uso da força para retomar a passagem, pela qual passam 5% do comércio marítimo e 40% do tráfego de contêineres dos EUA.

O Panamá nega que a China exerça qualquer interferência na rota e adotou medidas para responder à pressão.

Após a reunião com Rubio, o presidente panamenho, José Raúl Mulino, disse que seu país não renovará sua participação na iniciativa Cinturão e Rota, o programa chinês para investir e realizar obras de infraestrutura em mais de cem países pelo mundo. O país centro-americano havia aderido à iniciativa em novembro de 2017.

Rubio disse a jornalistas na segunda-feira (3) que suas conversas com Mulino foram respeitosas e que a visita resultaria em “coisas potencialmente boas”. Ele disse ainda que o presidente panamenho ouviu as preocupações sobre as taxas impostas aos navios militares americanos.

O presidente americano, por sua vez, disse que ainda “não está contente”, mas reconheceu que o Panamá “acatou certas coisas”.

Nesta sexta-feira (7), os dois países devem ter novas conversas para discutir a questão do canal, construído pelos EUA, inaugurado em 1914 e entregue aos panamenhos em 1999 após a assinatura de tratados bilaterais.

Folha

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